Corte Européia de Direitos Humanos condena Rússia pelo tratamento dado as Pussy Riot em 2012

Registro da Banda Pussy Riot em 2012. Fonte: Wikicommons/Denis Bochkarev

Na mesma semana em que outras integrantes da banda foram condenadas a 15 dias de prisão, decisão reconhece tratamento humilhante dispensado pelo Kremlin a Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina

A felicidade de ver em campo na final da Copa do Mundo da Rússia mais uma ação das Pussy Riot. A entrada delas durante o jogo da França e Croácia retomando o debate sobre liberdade de expressão na Rússia e condenando as políticas da Fifa. Nem todos devem lembrar, mas há 6 anos as Pussy Riot ficavam conhecidas no mundo após algumas de suas integrantes serem presas por causa da gravação de um vídeo-clipe da música “Virgem Maria, expulse Putin!” na Igreja de Cristo Salvador, principal templo cristão-ortodoxo da Rússia, que falava sobre a relação entre religião e política na Rússia.

Na mesma semana em que outras integrantes da banda são condenadas a 15 dias de prisão e proibidas de participar de eventos esportivos por conta da ação na final da Copa do Mundo, a Corte Européia de Direitos Humanos condenou a Rússia pelo tratamento dispensado a Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yeakterina Samutsevich em 2012. Tolokonnikova e Alyokhina passaram 2 anos presas após um julgamento altamente parcial, Samutsevich também teve a mesma condenação, porém por estar grávida na época a mesma foi suspensa.

A Corte Européia de Direitos Humanos condenou o Estado russo a pagar 48.760 euros em indenizações e despesas judiciais para as ativistas.

“No entanto, constatou que condená-las à prisão por simplesmente terem usado roupas coloridas, balançarem os braços, chutarem as pernas e usarem uma linguagem forte, sem analisar a letra da música ou o contexto de sua performance, foi excepcionalmente severo. “, afirma a decisão da Corte.

Também foi considerado tratamento humilhante o fato das 3 ativistas do Pussy Riot terem passado seu julgamento inteiro expostas em uma jaula de vidro, interferindo diretamente na comunicação entre as integrantes da banda e seus advogados durante o processo. O processo foi acompanhado de perto por diversas mídias mundias que há época condenavam a postura da justiça e governo russo, durante o julgamento de Nadezhda Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Yeakterina Samutsevich foi possível ouvir de membros da acusação afirmações como “o feminismo é um pecado mortal”, além de desconsiderarem a ação das Pussy Riot como um ato político, mas sim de ódio religioso.