Mais um escrachado no Rio de Janeiro

Duas mil pessoas estiveram presentes para denunciar Dulene Aleixo Garcez dos Reis

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Foto por Paulo Iannone
 
Rua Lauro Muller, bairro do Botafogo, Rio de Janeiro. Ali mora Dulene Aleixo Garcez dos Reis, que foi alvo da manifestação organizada pelo Levante Popular da Juventude, junto a movimentos sociais da Via Campesina e outras entidades, na terça-feira (19 de junho) pela manhã.
 
Dulene foi capitão da Infantaria do Exercito em 1970 e participou da tortura ao jornalista e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário Mário Alves, que foi submetido a uma sessão de torturas que durou mais de oito horas seguidas. Alves teve hemorragia interna por conta de uma perfuração no intestino, feita por um cassetete de madeira com estrias de ferro.
 
Cerca de duas mil pessoas estiveram presentes para denunciar Dulene, e enfrentaram uma movimentação ostensiva da polícia militar, que contou com a presença da Tropa de Choque, Caveirão e até helicópteros, estrutura digna de grandes eventos.
 
Embora o ato tenha sido pacífico, a polícia não deixou o grupo se aproximar do prédio do escrachado, sob o risco de aplicação de “práticas de contenção de multidões”, como explicou o comandante da operação, Major Pinto. “Este local está sob a responsabilidade do Estado, sob a minha responsabilidade”, esbravejou o comandante.
 
Carolina Dias, estudante de Ciências Sociais, membro do Levante Popular da Juventude e uma das organizadoras da Marcha, explica que o ato é complicado por que “mexemos com gente muito grande”, o que atrai muita atenção policial. Ela explica que o processo de escolha do escrachado é muito “delicado”, sendo que geralmente cinco pessoas participam do levantamento. “Por questões de segurança e, claro, para não sermos levianos, poucos participam da escolha e a pesquisa é bem intensa.”
 
Carolina ainda comenta que o objetivo do ato é transformar o assunto num “processo popular”. “Os manifestos não são apenas por verdade, queremos justiça também.” Segundo a estudante, o ato é inspirado na série de movimentos que tem aberto os arquivos da ditadura em toda América latina. “Estamos todos envolvidos nesse processo de buscar e apontar a memória desse período”, ressalta.
 
Além da polícia, outra presença marcante foi a dos camponeses e militantes do movimento internacional da Via Campesina e MST. Raul Amorim, do Coletivo Nacional das Juventudes do MST, explica que “esse esforço de articulação das juventudes, do movimento estudantil e dos trabalhadores rurais é importante por que acreditamos que só há transformação se existir integração do todo”.
 
“Lutar pela garantia da justiça”, isso foi o que trouxe a professora Valéria Carvalho ao ato. Ela é filha de Antonio Carlos Carvalho, mais uma vítima da ditadura militar. Ele foi torturado violentamente por 30 dias e depois morto em 1970. Para Valéria, “o fato de ter um caso como este em casa só reforça a necessidade de lutar por justiça e abertura dos arquivos da ditadura”.
 
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Publicado originalmente no site da revista Fórum
 

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