Quanto mais progresso, mais lixo

A produção de lixo de um país é equivalente ao seu desenvolvimento

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Lixão de Juazeiro, na Bahia. Foto por Glauco Umbelino
 
Quanto mais progresso, mais lixo, é a conclusão de um relatório do Banco Mundial sobre a produção de lixo urbano. Como explica a revista Mother Jones, a maioria da população do planeta é pobre demais para comprar e descartar a torto e a direito como fazem os estadunidenses, por exemplo. Mas à medida em que países em desenvolvimento se tornam mais ricos e sua população adota um padrão de vida mais "alto" - mais consumista - a produção de lixo aumenta consideravelmente.
 
 
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Chineses e brasileiros produzem pouco mais de 370 quilos de lixo per capita anuais, uma cifra considerável mas ainda bastante distante dos Estados Unidos, maiores produtores de lixo per capita no mundo, com cerca de 907 kg por ano. O "lixo" a que o relatório se refere é tudo o que chega aos lixões, inclusive material que é reciclado após passar por triagem. Para a entidade, "o lixo sólido é o subproduto mais visível e pernicioso de um estilo de vida baseado no consumo e no uso intensivo de recursos". A China apresenta uma tendência preocupante: o relatório estima que em 2025, o país estará produzindo 562 milhões de toneladas de lixo sólido por ano, quase três vezes o volume atual. 
 
A composição do lixo varia dramaticamente entre países com diferentes níveis de renda: as quantidades de papel e material orgânico descartados por uma sociedade dizem muito sobre o quão rica ou pobre ela é. Países pobres têm uma grande proporção de lixo orgânico, como restos de comida e resíduos produzidos pelo cultivo da terra. No Brasil, este tipo de lixo equivale a 61% do total, e na Etiópia chega a 88%. Somente 14% do lixo urbano alemão, por sua vez, consiste em resíduos orgânicos. Por outro lado, o papel é o maior componente do lixo urbano em países com maior renda per capita: nos EUA, uma pessoa descarta 320 quilos de papel por ano, o que equivale a 34% de todo o lixo sólido produzido, mesma porcentagem da Alemanha. No Brasil, somente 15% do lixo urbano consiste em papel. 
 
 
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