São Bernardo faz concessão para reativar estúdios de cinema da Vera Cruz

Famoso por produção de filmes na década de 1950, no ABC paulista, local terá complexo artístico e abrigará sete estúdios

Esteja sempre bem informado
Receba todos os dias as principais notícias de Opera Mundi

Receba informações de Opera Mundi

Famoso por produções nos anos 1950, o local ficará sob responsabilidade da empresa Telem / DivulgaçãoAinda levará alguns anos, mas a expectativa é de que agora os antigos estúdios da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, possam voltar a produzir filmes e outros conteúdos audiovisuais. Famoso por produções nos anos 1950, entre as quais marcos do cinema brasileiro, o local ficará a partir desta terça-feira (23) sob responsabilidade da Telem (Técnicas Eletro Mecânicas), especializada na área, em acordo de concessão – com prazo de 30 anos – assinado com a prefeitura de São Bernardo. Segundo o Executivo municipal, o objetivo é implementar uma cadeia econômica ligada ao audiovisual.

O prefeito Luiz Marinho afirmou que, com a concessão, se delega um trabalho "a quem entende de cultura para fazer cultura, para que possamos produzir mais e melhor, com mais eficiência". Ele ressaltou a importância histórica da Vera Cruz, mas acrescentou que é necessário buscar caminhos para tornar o projeto viável. "Não basta ter a visão romântica da cultura, dos estúdios da Vera Cruz, mas é preciso ter o pé na realidade e conseguir equilíbrio econômico." Marinho lembrou que a "grife" permaneceu, mesmo com tanto tempo de inatividade. "É uma marca muito sólida."

Criada em 1949, em área onde havia uma granja, a companhia foi responsável por produções como “Caiçara” (1951), filme dirigido por Adolfo Celi, “Tico-tico no Fubá” (1952), do mesmo diretor, e “O Cangaceiro” (1953), de Lima Barreto, que ganhou prêmios (melhor filme de aventura e trilha sonora) no Festival de Cannes, na França, com um clássico da música brasileira, “Mulher Rendeira”. Segundo a Vera Cruz, ali foram produzidos ou coproduzidos mais de 40 filmes. O estúdio não funciona desde 1972. Há anos o pavilhão, próximo ao Paço Municipal, vem sendo utilizado apenas para feiras e exposições.

As obras preveem a preservação da área externa do local, que é tombado. O complexo terá sete estúdios, de diferentes tamanhos, um centro cultural e um teatro com capacidade para 853 pessoas, 698 na plateia e 155 no balcão.  "Estamos cientes de que o momento é difícil na economia nacional, mas temos experiência nesse mercado", afirmou o diretor da Telem Fernando Fontes.

O Centro de Audiovisual (CAV) da prefeitura, um espaço de formação de profissionais, passará a funcionar no complexo, onde também deverá ser organizada uma incubadora de empresas com o propósito de fomentar o setor. O centro, passo inicial da reformulação da Vera Cruz, é resultado de uma parceria com o Ministério da Cultura.

"Os estúdios da Vera Cruz são uma parte de nossa memória afetiva", diz o secretário municipal da Cultura, Osvaldo de Oliveira Neto. "O objetivo é não só que a cidade volte a discutir cinema, mas construir uma nova cadeia econômica. Chegamos a um modelo de negócio. O que nos faltava era trazer o mercado."
 

Carolina Maria de Jesus revisitada: pesquisas buscam definir estilo e influências de autora de 'Quarto de Despejo'

Espaço em festival francês evidencia momento de prestígio da animação brasileira no mundo

'Desvio sexual' de 'Game of Thrones' é ameaça a valores tradicionais, diz deputado russo antigays

 

"Sai da Frente", o primeiro filme de Mazzaroppi / Divulgação FunarteSeis empresas chegaram a retirar o edital, mas apenas uma, a Telem, participou efetivamente do processo de licitação. O secretário da Cultura ressalta o fato de se tratar de uma empresa "diretamente ligada ao audiovisual". A Telem foi responsável por obras como os estúdios Quanta, em São Paulo, e de Paulínia, no interior paulista, além de revitalização dos teatros municipais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Neto defendeu o modelo encontrado, no sentido de garantir continuidade. "Este é um projeto que não pode correr riscos daqui a cinco, seis anos." Segundo ele, o custo previsto é de R$ 158 milhões. A previsão é de que o novo complexo comece a funcionar em cinco anos. Depois desse prazo, 5% do faturamento devem ir para o município.

O cineasta e roteirista Newton Canitto, ex-secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, aposta no sucesso do projeto, que não seguirá mais o modelo clássico dos antigos estúdios de cinema, mas abrirá espaço para produções na área da televisão e da internet. "O que está crescendo mais, em termos de indústria, é a produção independente. O mais importante é que o modelo de criação está previsto de forma muito aberta. Há um caminho natural de democratização da produção", disse Canitto, cujo pai era operário da Villares, no ABC. Ele também destacou a perspectiva de surgimento de novos profissionais a partir das atividades no complexo. E espera apoio: "Empreendedores, apareçam! O audiovisual não está em crise".

A assinatura do acordo teve ainda a presença de representantes do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine). Também estava lá o cineasta Milton Santos, que está lançando o seu 22º filme, “Pé de Cabra”, com história baseada em um bairro de São Bernardo. Ele se declarou fã de Mazzaropi, que também deixou sua marca no Vera Cruz, por onde saiu seu filme de estreia, “Sai da Frente”, em 1952. "Nos filmes dele as pessoas se veem representadas. Eu quero contar histórias do povo, de gente como nós."

Está previsto um evento no próprio pavilhão da Vera Cruz, em 5 de agosto, quando mais detalhes serão divulgados.

 

Matéria original publicada no site Rede Brasil Atual.


Outras Notícias

Receba informações de Opera Mundi

Destaques

Publicidade

Escravidão e Liberdade

Escravidão e Liberdade

A editora Alameda traz uma seleção especial de livros escravidão, abolição do trabalho escravo e sobre cultura negra. Conheça o trabalho de pesquisadores que se dedicaram profundamente a esses temas, centrais para o debate da questão racial e da história do Brasil. 

Leia Mais

A revista virtual
desnorteada

O melhor da imprensa independente

Mais Lidas

Últimas notícias