Com nova versão de documento final, COP21 sinaliza possibilidade de acordo para impedir aquecimento global

Revisão das metas a cada 5 anos, reconhecimento das relações sul-sul e fundo de US$ 200 bi pago por países ricos são consenso; financiamento, diferenciação e nível de ambição de cada país seguem em aberto

Esteja sempre bem informado
Receba todos os dias as principais notícias de Opera Mundi

Receba informações de Opera Mundi

Novo texto de negociação da Conferência do Clima em Paris ainda têm indefinições, mas deixa as portas abertas para que um acordo ambicioso possa ser assinado nos próximos dias.

O número de páginas diminuiu pela metade, das 48 apresentadas no primeiro rascunho para as atuais 29. Isso não significa que as questões polêmicas ainda não estejam sobre a mesa aguardando as tão almejadas definições.

Agência Efe

Manifestantes protestam na entrada da sessão plenária para pedir aprovação de meta ambiciosa

Sinal do quanto alguns desses pontos se mantêm em suspense é o fato de que os negociadores dos 195 países presentes ao centro de eventos Le Bourget, em Paris, entraram pela madrugada de quarta-feira para conseguir fechar essa segunda versão do acordo climático.

As chamadas negociações de alto nível que reúnem as lideranças de todos os países vai continuar nesta quinta-feira (10/12).

O desgastante processo não parece desanimar o presidente da COP21, Laurent Fabius, que é também Ministro das Relações Exteriores do governo francês. Para ele, os avanços foram muito grandes entre o primeiro documento, divulgado no final de semana, e este agora. Fabius afirma que os ministros têm encontrado diversos consensos, como, por exemplo, os mecanismos para verificar a implantação do acordo pelos países.

Segundo declarações do próprio presidente da COP, permanecem em discussão três pontos fundamentais: financiamento, diferenciação e até mesmo o nível de ambição de cada país. Temas que colocam em posições opostas os países desenvolvidos e os em desenvolvimento.

As revisões de cinco anos das metas, com um primeiro encontro para tratar do ajuste da ambição já em 2018; o reconhecimento da cooperação Sul-Sul como medida de engajamento dos países em desenvolvimento em prover meios de implementação, e de que os US$ 100 bilhões de dólares por ano prometidos pelos países desenvolvidos até 2020 são um piso para o financiamento climático ainda estão presentes no texto.

Benjamin Géminel/ Cop21

A delegação dos povos indígenas fazem manifestação na cúpula do clima de Paris

No Congresso, 'antropólogo dos ruralistas' questiona direito de indígenas a demarcação de terras

Brasil e UE apresentam novo projeto de mercado de 'créditos de carbono' na COP21

Etiópia: 10 milhões correm risco de fome em meio a 'pior seca em 50 anos', alerta ONG

 

Para Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima, o texto até agora mantem todas as boas opções nos temas chave, mas alerta, “só resultará em bom acordo se o conjunto dessas boas opções for mantido”.

Sociedade civil

Grupos da sociedade civil, incluindo sindicatos, jovens e povos indígenas se uniram nesta quinta e realizaram um protesto pacífico dentro do Le Bourget — onde a Conferência acontece — para lembrar os ministros e negociadores que estão de olho no texto que negocia o futuro do planeta e de todos.

Sinais de que é possível colocar o mundo no caminho que leva a um futuro descarbonizado estiveram por todas as partes esta semana: a notícia de que as emissões globais de gases de efeito estufa se mantiveram estáveis em 2014 e os inúmeros anúncios relacionados às energias renováveis mostram que estas fontes terão um papel fundamental no futuro da economia global. Santa Lúcia, por exemplo, se tornou a 29ª nação a se juntar a uma iniciativa de energia renovável para ilhas; a Índia publicou mais detalhes e informações sobre a aliança de energia solar formada na semana passada e nações africanas trabalharam para alcançar a meta de 300GW de energia renovável até 2030.

Com a última versão do texto na mesa, as nações reunidas em Paris podem optar por trilhar um caminho em direção a um futuro com um objetivo claro de descarbonização da economia global que trará ganhos econômicos e benefícios à saúde de populações ao redor do mundo, além de significar que as nações mais vulneráveis terão apoio para se adaptar às mudanças climáticas e que haverá justiça para as populações mais impactadas.

O documento final sobre o novo acordo climático global está previsto para ser anunciado nesta sexta-feira (11/12).

*Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, colunista de Carta Capital e assessor de imprensa e consultor da ONG Iniciativa Verde.

Publicado originalmente pela Envolverde


Outras Notícias

Receba informações de Opera Mundi

Destaques

Publicidade

Escravidão e Liberdade

Escravidão e Liberdade

A editora Alameda traz uma seleção especial de livros escravidão, abolição do trabalho escravo e sobre cultura negra. Conheça o trabalho de pesquisadores que se dedicaram profundamente a esses temas, centrais para o debate da questão racial e da história do Brasil. 

Leia Mais

A revista virtual
desnorteada

O melhor da imprensa independente

Mais Lidas

Últimas notícias