'Me senti prisioneiro. Eu merecia mais respeito nesse país', diz Lula a jornalistas

'Se a Polícia Federal ou o Ministério Público encontrar R$ 1 ilícito meu, eu não mereço ser do PT', afirmou ex-presidente, que voltou a chamar operação da PF de 'circo midiático'

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Atualizada às 18h50

“Estou magoado. Me senti prisioneiro hoje de manhã”, afirmou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em declaração dada a jornalistas no Diretório Nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) nesta sexta-feira (04/03) após ter sido conduzido para prestar depoimento de forma coercitiva à PF (Polícia Federal). Durante a conversa com os meios de comunicação, o líder ironizou: “cadê a Globo? Não estou vendo o microfone da Rede Globo”.

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Lula voltou a ressaltar que se a PF queria que ele prestasse depoimento, bastava ter enviado um mandado. “Eu já prestei depoimento três vezes para eles, inclusive nas minhas férias”, esclareceu. “Mas preferiram a prepotência e a arrogância”, afirmou ao questionar também a motivação para que a polícia tenha ido atrás dos filhos dele.

“Eu merecia mais respeito nesse país. Quero que saibam que o que aconteceu hoje magoou minha história. Fui ofendido e ultrajado, apesar do tratamento cortês dispensado pelos delegados da Polícia Federal”, ressaltou.

Sobre as denúncias, voltou a defender que “não é possível ver o país sendo vítima de um espetáculo midiático que coloca um barco de quatro mil reais da Dona Marisa como suspeita. Se eu pudesse, eu daria um iate para ela. Se preocupam com um pedalinho de dois mil reais que foi dado aos netos. E eu uso a chácara de amigos porque os inimigos não me oferecem. A Globo não me oferece o triplex de Paraty”, ironizou, referindo-se a um apartamento supostamente da Família Marinho e que está sob investigação da Operação Lava Jato.

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“Eu quero saber quem vai me dar o apartamento. Se eu não paguei e não comprei, então não é meu. Quando isso tudo acabar, alguém vai ter que me dar o apartamento e a chácara. Espero que alguém me dê porque aí vai ser meu”.

PT

Sobre o PT, Lula afirmou que, “embora esteja magoado com o que aconteceu hoje, isso era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça. Porque todo dia alguém faz o PT sangrar”. Apesar de não deixar claro se vai concorrer à presidência em 2018, garantiu que “a partir da semana que vem quem quiser discursinho do Lula é só acertar a passagem de avião que estou disposto a andar por esse país todo”.

E lançou um desafio ao presidente do PT, Rui Falcão: “se a Polícia Federal ou o Ministério Público encontrar um real ilícito meu, eu não mereço ser deste partido”.

O petista concluiu a declaração com uma de suas clássicas metáforas: “se queriam matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo e a jararaca está viva, como sempre esteve”.

Após as declarações, Lula desceu para se encontrar com os manifestantes que se concentravam em frente à sede do partido. O presidente do PT, Rui Falcão convocou a militância do partido a se mobilizar em diversas cidades do país às 18 horas em apoio ao ex-presidente.

Ouça a íntegra da declaração de Lula:

Base jurídica

Cristiano Zanin, advogado do ex-presidente Lula, declarou que “a falta de base jurídica salta aos olhos” na ação conduzida pela PF nesta manhã. Zanin concedeu uma entrevista coletiva logo após as declarações do ex-presidente.

“A condução coercitiva [obrigatória] só se justifica se a pessoa for intimida e não comparecer”, afirmou o advogado, acrescentando que não se sustenta alegação de que a PF conduziu Lula de forma coercitiva para garantir a segurança do ex-presidente. Zanin disse que caso essa condição fosse aceita, “estaríamos em um Estado de exceção”.

“Não havia perguntas novas hoje, todas já haviam sido respondidas por Lula”, disse. O advogado afirmou ainda que a operação infringiu princípios constitucionais, como o da dignidade da pessoa humana e do devido processo legal. ”Esse quadro mostra uma situação de arbitrariedade a que estão sujeitos não só o presidente Lula, mas como toda a sociedade”, declarou Zanin.

“Em relação à suposta delação premiada [do senador Delcídio do Amaral], não houve nenhuma pergunta em relação a esse tema”, afirmou o advogado. Publicada nesta quinta-feira (03/03) pela revista IstoÉ, a suposta delação não foi confirmada publicamente pelo parlamentar, ex-líder do PT no Senado.


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