Condução coercitiva de blogueiro Eduardo Guimarães é 'perseguição nitidamente política', diz advogado

Guimarães, do Blog da Cidadania, foi levado em condução coercitiva determinada pelo juiz Sérgio Moro para depor na sede da Superintendência da Polícia Federal sobre fonte de publicações em seu blog sobre Operação Lava Jato

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O blogueiro Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, foi levado, em condução coercitiva, para depor na sede da Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo, na manhã de hoje (21/03), em mais uma ação da Operação Lava Jato. Ele foi liberado no final da manhã, quando afirmou não ter entendido a condução coercitiva, porque não se recusou a ir à PF, e criticou a apreensão de seus equipamentos, o que segundo Guimarães "viola a minha atividade jornalística".
 
  
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“Eu e meus advogados não entendemos a razão da condução coercitiva. Não existe uma razão lógica para me trazer obrigado até aqui”, disse o blogueiro.
 
Segundo ele, o motivo da condução coercitiva seria a divulgação de uma nota, em seu blog, sobre a iminente condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que efetivamente ocorreu em 4 de março de 2016. “Recebi de uma fonte essas informações, queriam saber se tenho alguma ligação com essa fonte. Declarei que não conheço, divulguei porque é meu trabalho como jornalista divulgar as informações.”
 
Para Eduardo Guimarães, a condução coercitiva foi arbitrária. Seu advogado Fernando Hideo declarou que não houve qualquer intimação prévia. “Se houvesse a intimação e ele não tivesse comparecido, eventualmente poderia haver a condução”, explicou. “A segunda arbitrariedade é a violação do sigilo de fonte. A fonte dele tem que ser preservada, isso está na Constituição Federal. É uma perseguição nitidamente política. Foi uma arbitrariedade”, afirmou.

Reprodução / YouTube

O blogueiro Eduardo Guimarães falou à imprensa ao ser liberado após condução coercitiva da PF nesta manhã

Segundo o blogueiro, os agentes chegaram à sua casa por volta das 6h, com um mandado de busca e apreensão, levando celulares, inclusive de sua esposa, notebook e pen drive. "Sou agora um blogueiro sem equipamento nenhum", disse Guimarães. Ele foi conduzido no carro da PF para a Superintendência da Lapa, na zona oeste.

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O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) classificou a ação da PF contra o blogueiro como um fato de "extrema gravidade". "É uma restrição à liberdade de imprensa e informação. É censura. É uma tentativa de constranger aqueles que questionam a postura do Judiciário e do próprio juiz (Sérgio) Moro", afirmou. 

Em audiência por videoconferência em que o deputado participou como testemunha de defesa em um dos processos da Lava Jato também nesta terça, Teixeira conta que arguiu diretamente o juiz Moro, que confirmou ter determinado a condução coercitiva do blogueiro. Moro alegou que Eduardo Guimarães não é jornalista. Já o deputado retrucou afirmando que, pela legislação, nada o impede de exercer o jornalismo. 

Segundo o deputado, ao tentar descobrir a fonte de Eduardo Guimarães, que o teria informado sobre os vazamentos seletivos e antecipado a condução coercitiva de Lula, Moro age contra a Constituição, que garante o sigilo da fonte jornalística. 

A bancada dos deputados estaduais do PT suspendeu as atividades programadas para esta terça-feira (21/03) em solidariedade ao blogueiro. Os deputados José Zico Prado, líder da bancada na Assembleia de São Paulo, e Alencar Santana Braga foram à sede da Superintendência da PF.

O blogueiro terá de voltar ao local em 3 de abril, por causa de outra publicação, de 2015, em sua conta no Twitter, em que criticou o juiz Sérgio Moro por estar prejudicando a economia brasileira. Por causa disso, foi acionado pela Associação Paranaense dos Juízes Federais, por suposta ameaça a Moro. "Isso é uma arbitrariedade, é uma vergonha."

Em solidariedade a Eduardo Guimarães, e pela liberdade de expressão, será realizado um ato hoje, às 19h, no Sindicato dos Engenheiros, que fica na Rua Genebra, 25, no Centro de São Paulo. 

 

*Com Rede Brasil Atual e Portal Fórum


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