Roberto Correa Wilson* 

colonial_submissionQuênia, situada na África Oriental, estava habitada, em princípios de nossa era, por tribos de origem camítico que lutaram por longos anos contra a expansão banto.

Deste o século IV até o X considera-se que foi um período crucial, pois os bantos ocuparam territórios dos atuais estados de Quenia, Uganda, Tanzânia e a parte norte de Moçambique.

Num estudo da época se nota claramente a diferença entre os pastores somalis que não cultivavam cereais e outras tribos que provavelmente podem ser identificadas com os malindi da costa norte de Quênia, ajudada com a introdução de certas frutas da África Sul-oriental e vinculadas com marinheiros árabes que estavam criando já um mercado marítimo de escravos negros.

Diante desse aspecto global do comercio no Oceano Índico, o problema do assentamento árabe na África Oriental assume outras proporções.

De acordo com as tradições conservadas na Arábia e na África Orienta, os primeiros colonizadores, no século VIII. Foram refugiados da seita xiita (islâmica), provenientes de Omã, na costa arábica do golfo. Supõe-se que foram sunitas (outra seita islâmica), os que fundaram o porto de Kilwa em Quênia.

Em 1494, os portugueses começaram a penetrar na costa já explorada em busca de ouro e especiarias, e incrementar o comercio de escravos. Quatro anos depois, o português Vasco da Gama comandou uma expedição que contornou a costa este e iniciou a conquista expulsando os árabes de Quênia.

Ingleses e franceses

Os árabes reconquistaram territórios em 1670, porém os interesses europeus começaram a interferir na região, particularmente dos ingleses e franceses.

A Inglaterra que tinha abolido o comércio de escravos em 1834, começou a patrulhar as costas para impedir o tráfico, e ao mesmo tempo fazer contatos com os dirigentes árabes para anular a concorrência da França nesses territórios.

Londres conseguiu penetrar ao obter do imã Sayyid Said autorização para entrar. Não obstante os missionários alemães Johann Krapf e Johannes Rebman foram os primeiros europeus que em 1849 exploraram o interior do país.

Entre as décadas de 1840 e 1870 se incrementaram as incursões de exploradores com o suposto manto de missões arqueológicas que buscavam as nascentes do rio Nilo, familiarizar-se com a vegetação e a vida selvagem dos bosques.

Depois da exploração do lago Vitória, os ingleses aumentaram seus interesses na área de Quênia-Uganda, especialmente durante o período conhecido como a repartição da África (1880-1890). Junto com Grã Bretanha disputavam as riquezas do oriente africana a França, Alemanha e Portugal.

Na Conferência de Berlim, realizada de 1884 a 1885, as potencias europeias repartiram a África entre si. Alemanha e Grã Bretanha acordaram que toda a terra ao norte do lago Vitória fosse propriedade da Grã Bretanha e que o território situado ao sul do lago passaria ao domínio germânico.

Em primeiro de julho de 1885, Grã Bretanha proclamou o chamado Protetorado Britânico da África Oriental (Quênia-Uganda), apesar da resistência das tribos kamba, kikuio e massai.

Em 1896 começou a construção da ferrovia ligando o porto de Mombaça no Quênia a Uganda, porém o trabalho foi suspenso temporariamente diante do protesto dos nativos pela mortalidade ocasionada pela desumana exploração a que eram submetidos os trabalhadores.

Diante disso Londres levou para trabalhar a mais de 30 mil indianos e outros asiáticos de territórios sob o colonialismo inglês, nessa via férrea que se estendeu de Mombaça até o lago Vitória e anos depois até Uganda.

Devido às sublevações a colonização não pode ser completada até finais da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Para ser dominados os nativos foram encarcerados em reservas e despojados de suas terras.

Com a ocupação total do território se iniciava uma etapa de grande sofrimento e exploração para o povo queniano, mas também a realização de esforços e sacrifícios colossais para obter a independência.

Os horrores da colonização, similares em sua brutalidade e humilhação aos da escravidão, foram varridos para sempre no Quênia em 1963, quando Grã Bretanha se viu obrigada a reconhecer, depois de muitos anos de luta política, a independência de sua colônia.

 

*Prensa Latina, de La Habana para Diálogos do Sul