Os vários jornais indicam que a indústria da construção encolheu 20%. Apontam como causa a crise econômica e os mais inconsequentes aproveitam pra botar a culpa nas administrações do PT que os magos da economia estão tentando salvar.

Paulo Cannabrava Filho

Mais que balelas, falácias para esconder o joio do trigo.

Vamos aos fatos a partir dos dados fornecidos pelos representante dos empresários e publicados nos jornais. Esse estranho jornalismo de hoje que tem excelentes fontes, publicam os dados mas não os interpretam, sequer colocam esses fatos dentro do contexto originário, ou seja, respostas àquelas cinco perguntinhas sagradas para o jornalismo e indispensável para qualquer planejamento:

 

O quê? Quem? Como? Por quê? Onde?

 

É notícia que as seis maiores empreiteiras e construtoras (Odebrecht, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Constran) tiveram uma redução no total de seus faturamentos, de R$ 77 bilhões, em 2015, para R$ 22 bilhões em 2017, nada menos que uma queda de 72%. Absurdo, não é?

Esse mesmo conjunto de empresas demitiu, nos últimos dois anos, 200 mil trabalhadores, correspondente a 40% do total dos empregos. Qual o mais grave absurdo?

Alguns jornais admitem que essa situação se agravou a partir da Operação Lava-Jato. Nós constatamos que essa situação foi provocada pela Lava-Jato e que isso configura crime de lesa-pátria.

Há que considerar que esses dados mostram apenas a superfície de um dano muito maior e mais complexo que se irradia por toda a economia nacional.

Juízes de primeira instância, instruídos nos Estados Unidos e a serviço dessa potência imperial, estão corroborando para a implantação do caos no país. Ilustração Vitor Teixeira.

Porém, ocorre que, mais que empreiteiras, são construtoras e investidoras nos setores estratégicos para o desenvolvimento nacional: petróleo, petroquímica, biocombustível, energia hidrelétrica, construção naval, terminais marítimos, para citar só alguns dos mais importantes.

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Todos os jornalistas devem saber e os economistas e gestores públicos por obrigação, que a indústria da construção é dos mais multiplicadores na economia de um país. Para funcionar, mobiliza uma infinidade de outros setores que vão desde a mineração até os produtos da mais refinada tecnologia da informação, passando por siderúrgicas, fábricas de cimento, cerâmicas, máquinas ferramentas, máquinas pesadas, transporte de carga, etc.; e uma infinidade de prestadores de serviço como bancos e financeiras, alimentos, comunicação, saúde, etc.

Com isso, a taxa de desemprego que em 1998 era 8,18%, entrou em 2018 em 14% e não para de aumentar. E como quantificar as perdas em inteligência e tecnologia?

E os jornais dizem que é a crise que emperra o setor da construção. Que crise, cara pálida?

Essa paralisação de amplos setores da economia —petróleo e construção na cabeça — só aconteceu porque juízes de primeira instância, instruídos nos Estados Unidos e a serviço dessa potência imperial, estão corroborando para a implantação do caos no país. E tudo isso impulsionado pelo poder midiático e com a conivência ou a cumplicidade dos três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Corre-se o risco de que a empresa caia nas mãos de fundos abutres para poder rolar essa dívida. Rola e fica com o rabo preso, como ficou a Argentina, em fundos manejados por gângsteres. Ilustração Vitor Teixeira.

Os trabalhadores desempregados e os empresários afetados são vítimas de uma tirania que tem nome, sobrenome e endereço e devem ser não só responsabilizados, cobrados, como condenados por esse grave crime contra a soberania nacional.

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Paralisar obras de infraestrutura e botar 200 mil trabalhadores na rua da amargura, com tudo o que isso repercute na economia como um todo, é crime contra a economia nacional; é crime contra a economia popular, portanto, é crime contra a soberania nacional. E crime contra a soberania é crime de traição à Pátria.

A Odebrecht, foi das mais afetadas pela insânia judicial. Faturamento de R$ 57 bilhões em 2015, caiu para R$ 11 bilhões em 2017.

Fez um acordo para devolver à  União R$ 2,7 bilhões. Além da encrenca nacional e uma dívida de R$ 10 bilhões para fornecedores internos; deve para financiadores externos uns US$ 500 milhões (uma ninharia nesse contexto) e contribuiu para aumentar em 100 mil o número de desempregados no setor.

Porém, como o judiciário e a mídia criminalizaram a empresa, não os autores dos crimes, e também porque o governo está falido, corre-se o risco de que a empresa caia nas mãos de fundos abutres para poder rolar essa dívida. Rola e fica com o rabo preso, como ficou a Argentina, em fundos manejados por gangsteres

 

Como salvar a Odebrecht?

 

Fácil. O Tesouro ou o BNDES assume as dívidas tanto em moeda nacional como estrangeiras, transformando tudo em Golden Share. Transformada em empresa mista, com controle de uma junta de acionistas, botar a empresa pra trabalhar no Brasil e no Exterior, em grandes obras de sua especialidade. Em curto prazo, tudo voltará ao normal, o Estado pode sair ou continuar na sociedade. O que não pode é deixar que uma das maiores empresas do continente caia nas mãos dos fundos abutres. É outro crime.

Se não se romper a institucionalidade que está a permitir essa recolonização do país, nada acontecerá além da repetição de mais do mesmo. Ilustração tt Catalão.

Nos Estados Unidos, que esses áulicos querem tanto se igualar, quando do estouro da bolha imobiliária, em 2008, o Lehman Brothers quebrou arrastando miríades de bancos e financeiras, construtoras e de pessoas simples. Diante disso, para evitar um mal maior, o governo tido como “o mais liberal do planeta” não titubeou em intervir. Paradoxalmente, na Finlândia, onde o governo não é liberal, deixou que o banco desaparecesse e colocou uma entidade estatal no seu lugar.

De volta aos EUA, quando a gigante entre as gigantes General Motors (GM) quebrou, o Tesouro fez o que devia fazer, tornou-se sócio da empresa, botou as coisas em ordem e agora até pode sair, se é que já não saiu.

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Com isso, os EUA evitaram que a crise numa empresa se expandisse para todo o sistema produtivo que dela dependem e as ingentes sequelas no mercado de trabalho, aumentando o já tão crítico desemprego.

Então gente! Do que se trata é de salvar os setores estratégicos para a soberania nacional. Não é protestando depois do mal feito que vamos parar com essa sangria. Se não se romper a institucionalidade que está a permitir essa recolonização do país, nada acontecerá além da repetição de mais do mesmo.

 

*Paulo Cannabrava Filho é editor da Diálogos do Sul